“Porque amor é justamente isso, é ficar inseguro, é ter aquele medo de perder a pessoa todo dia, é ter medo de se perder todo dia. É você se ver mergulhado, enredado, em algo que você não tem mais controle.
“Porque com todas as minhas forças, com toda a minha capacidade de ser estúpida, com toda a minha capacidade de sentir ciúmes, com toda a minha capacidade de procurar discussões e com toda a minha capacidade de ser irracional eu te amo.
“Eu só queria me casar
com alguém igual a você
E alguém igual não há de ter.
“Quando alguém quer estar com você, não tem essa de distância, idade, chuva, frio, falta de dinheiro, isso são só desculpas. Quem realmente quer estar com você vai dar um jeitinho vai pegar quantos ônibus for preciso se o problema for a distância, não vai ligar pro que irão dizer se o problema for a idade, vai levar um guarda-chuva se o problema for a chuva, vai se agasalhar bem se o problema for o frio e vai pedir dinheiro a alguém se o problema for falta de dinheiro. Seja como for, ela vai até você.
“Será que as estrelas veem a gente de lá como pontinhos cintilantes também? Será que estrelas apaixonadas observam os humanos em noites claras aqui embaixo?
“Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam, de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e, sim, para disfarçá-la, sufocá-la. Ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.
“Quantas vezes você ficou com um nó na garganta? Quantas vezes você estava mal e disse que estava bem? Quantas vezes você quis chorar e sorriu, ou chorou desejando sorrir? Quantas vezes uma só palavra, um só gesto destruiu o seu dia? Quantas vezes você ficou calada mesmo querendo falar? Quantas vezes você guardou pra si mesma tudo o que te corroia por dentro? Quantas vezes você se sentiu sozinha, mesmo com tantas pessoas a sua volta? Quantas vezes uma simples brincadeira te matou por dentro e você apenas sorriu mostrando que estava tudo bem? Quantas vezes você foi forte o suficiente pra passar por tudo isso? Quantas vezes você disse que não é forte e esqueceu-se de tudo o que um dia enfrentou?
“E da janela do quarto, vendo uma vida de estrelas passarem por seus olhos, algo lhe dizia: - Tá vendo aquele mundo lá fora? É seu, vai pegar.